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domingo, 4 de dezembro de 2011

Revolução cultural sobre o nascimento e mais com Dr. Ric Jones

    Estava ansiosa por esta entrevista, para ler e publica-la, mas devido a falta de tempo não conseguirei editar, pois minha banca já será amanhã e estou correndo com a apresentação. Peço desculpa por postar na íntegra, mas acredito que isso também irá contribuir com sua leitura, pois aqui está a mais sincera e objetiva opinião do Dr. Ricardo Herbert Jones, profissional com extensa carreira na medicina e militante de importantes movimentos pró humanização do parto.

     Quando se ouve que o Brasil é atrasado em relação à humanização do parto (com­parado aos países europeus), acaba sendo culpa da tecnologia que para acelerar o processo, esqueceu-se que a mulher deve ser ouvida e respeitada du­rante o parto. Como usar esse avanço tecnológico a favor, mas sem inibir a atua­ção da mulher?

    O atraso que percebo no Brasil não está ligado à disponibilidade de tecnologia, mas à falta de um debate moderno sobre as questões relacionadas aos direitos humanos re­produtivos e sexuais. Não é possível perceber nenhuma distinção entre as facilidades tecnoló­gicas oferecidas à classe média brasileira para o acompanhamento de um parto daquelas oferecidas ao mesmo estrato social euro­peu. Entretanto, a possibilidade de uma mulher aí inserida ser submetida a uma cesa­riana é muito maior no Brasil do que na Europa. A razão para esta discrepância é emi­nentemente cultural, e não econômica. As questões econômicas estão restritas ao SUS e suas dificulda­des, mas os usuários do sistema estatal de saúde tem uma chance muito maior de conseguirem um parto vaginal. Infelizmente este parto será invariavelmente repleto de intervenções e envolto pela aura obscura da violência institucional. Recentes pesquisas demonstram que 27% das paci­entes do sistema público sofrem algum tipo de violência durante a assistência ao parto, seja verbal, física ou moral. Mesmo as do sistema privado também são víti­mas dessa violência, mas em número um pouco menor: 17%. As propostas da huma­nização do nascimento, por exemplo, beneficiam o bom uso de tecnologia, e reforçam o conceito de que esta só pode ser aplicada em circunstâncias especiais, e sempre para resguardar o bem estar do binô­mio mãebebê. Diante do questionamento fre­qüente sobre os limites da utilização de tecnologia, eu estabeleci uma proposta de as­sistência humanizada ao nascimento que se assenta sobre um tripé conceitual:

    1. O protagonismo restituído à mulher, sem o qual estaremos apenas "sofisti­cando a tu­tela" imposta milenarmente pelo patriarcado.
    2. Uma visão integrativa e interdisciplinar do parto, retirando deste o caráter de "pro­cesso bi­oló­gico", e alçando-o ao patamar de "evento humano", onde os aspectos emocionais, fisiológicos, sociais, culturais e espirituais são igual­mente valorizados, e suas específicas necessi­dades atendidas.
    3. Uma vinculação visceral com a Medicina Baseada em Evidências, deixando claro que o mo­vimento de "Humanização do Nascimento", que hoje em dia se espalha pelo mundo in­teiro, funciona sob o "Império da Razão", e não é mo­vido por crenças religio­sas, idéias místicas ou pressupostos fantasiosos.

      Sendo grande ativista na Medicina Baseada em Evidências, como avalia o con­flito MBE x novas tecnologias para o nascimento?

    Eu particularmente não vejo conflitos nessa área. Existem pesquisas e revisões siste­máticas que são publicadas todos os dias a respeito de novas abordagens sobre o nascimento. Conforme expressei anteriormente, a Medicina Baseada em Evidências é parte integrante de uma estratégia para a humanização do nascimento. Antes da intro­dução desta importante ferramenta as condutas com gestantes em centros obstétricos eram marcadamente ideológicas, normalmente refletindo os valores pessoais dos chefes de serviço. O modelo de atenção seguia uma hierarquia totêmica e, portanto, os mais graduados é que ditavam regras, que muitas vezes não refletiam o estado da arte da ciência obstétrica. Entretanto, apesar do longo tempo em que a MBE está ofere­cendo orientações aos profissionais da assistência ao parto, ainda existem muitas con­dutas que precisam ser revistas. Entre tantas podemos citar a monitorização eletrônica contínua e a episiotomia, que apesar de não oferecerem benefícios quando utilizadas de rotina, ainda são usadas nos hospitais brasileiros muito além da sua necessidade. O conflito entre a Medicina Baseada em Evidências e a Prática Médica só vai terminar quando a mitologia contemporânea de “transcendência tecnológica” for substituída por uma forma mais racional de atenção ao parto, maximizando a atenção aos aspectos emocionais, psicológicos, afetivos, sociais e espirituais da gestante e sua família, ao mesmo tempo em que usa o recurso tecnológico com extrema parcimônia.

     Como empoderar as mulheres para que elas acreditem em si, compreendam que não devem se entregar a uma única opinião médica e devem se afastar de pes­soas com ideais contrários?

     A melhor forma - e a mais difícil e lenta - é através do exemplo e da informação. Os grupos de mulheres grávidas e o ativismo institucional (ReHuNa, Parto do Princípio, etc.) são formas de organização “de baixo para cima” que poderão oferecer frutos em médio e longo prazo. A internet cumpre um papel fundamental de disseminação das novas ideias relacionadas com o nascimento. Nunca houve tantas mulheres informa­das sobre as opções que existem ao seu dispor no que se relaciona ao nascimento. Muito disso se deve aos grupos temáticos da rede internacional de computadores, onde as pessoas podem trocar informações entre si e com profissionais da saúde, ob­jetivando a ampliação da gama opções para encontrar a forma mais adequada e pes­soal de parir com segurança e conforto. Assim sendo, pelas características específicas do projeto de humanização0 do nascimento, os resultados só podem ser em longo prazo, pois se trata de uma “revolução” que tem a ver com a sedimentação de novos valores sociais relacionados com a própria posição da mulher na cultura. Tais altera­ções nos núcleos valorativos da sociedade não ocorrem por decreto, mas através de uma lenta adequação.

       A gestante pouco planeja o parto, (parte fundamental) e se apega aos itens materi­ais da gestação. Isso pode causar danos? Quais?

        O pior de todos os problemas é a alienação. Ao desconsiderar as múltiplas alternativas que, em teoria, existem para o seu parto e focalizando-se nas necessidades “munda­nas” relacionadas a ele (qual o hospital, que acomodações, quanto custa, etc.) e à chegada do bebê (bebê conforto, fraldas, quarto do bebê, etc.) ela acaba desviando a atenção para as decisões importantes que precisará tomar. Quando a paciente e seu companheiro não são atuantes e participativos na tomada de decisões, o profissional assume a dianteira e o controle do processo. A partir daí o parto não mais lhes per­tence, mas será do profissional responsável. Ele tomará as decisões, mas como as responsabilidades também lhe cabem, tais decisões vão acabar contemplando as ne­cessidades do profissional, e não os desejos e aspirações do casal. Empoderar casais significa garantir a eles as rédeas da gestação através do conhecimento e da responsabilização conjunta. Somente assim teremos uma verdadeira revolução cultural sobre o nasci­mento.

        Qual o problema ao induzir um parto em uma gestante com mais de 41 semanas? Há alguma alternativa natural à indução medicamentosa? Ou deve-se esperar o bebê querer nascer?

       Induzir um trabalho de parto é uma intervenção médica que induz riscos. A ocitocina é um hormônio potente, que propicia contrações muito fortes, e por vezes violentas. As contrações artificialmente determinadas acabam diminuindo o aporte de oxigênio para a placenta. Desta forma, menos oxigênio e nutrientes chegarão ao bebê. Muitas vezes isso se traduz por alterações nos batimentos cardíacos fetais, e o processo que poderia ser natural termina em uma cesariana. Evitar este tipo de interferência no processo deve ser um objetivo de todo o profissional que deseja um parto mais seguro para sua pacientes. O simples fato de chegar às 41 semanas não deve ser encarado como um “fim de linha” para o nas­cimento, mas um momento em que se deve monitorar de forma mais intensiva o bem estar do feto, utilizando os protocolos adequados para este fim. Aguardar ou intervir deve sempre ser discutido com o casal, oferecendo a eles a participação nas decisões.

        A escolha pelo parto domiciliar está ganhando muitos adeptos, alguns porque gos­tam da “poesia” que isso passa e outros para evitar os possíveis traumas causados em um hospital. O que deve ser levado em consideração para que esse sonho seja possível? 

     Partos domiciliares somente podem ocorrer em pacientes de baixo risco. Isto é: não se admitem pacientes portadoras de hipertensão, diabete, doenças do colágeno, malfor­mações ósseas maternas da pelve ou em que a gestação seja prematura, entre outras contra-indicações. Além disso, tais partos precisam ter planos alternativos muito bem elaborados e estudados. É preciso que os profissionais que o atendem tenham experi­ência e conhecimento das características de um parto no domicílio. Precisam também de equipamento adequado para a atenção de urgência de mães e bebês. É funda­mental a existência de um hospital de referência que esteja há pelo menos 30 minutos de distância de onde o parto está para ocorrer. E, por fim, é preciso que o casal esteja plenamente ciente e de acordo com esta opção, reconhecendo os riscos e benefícios de um nascimento extra-hospitalar, e auxiliando os profissionais que os acompanham,

        É comprovado cientificamente que a presença da Doula realmente ajuda no equilí­brio do TP e hoje existem vários cursos para essa formação. De que ma­neira, o Governo poderia ajudar a população mais carente, uma vez que o traba­lho da Doula é particular?

      As vantagens da presença da doula são conhecidas desde o início da década de 90, através dos trabalhos iniciais de Klaus & Kennell. Posteriormente, uma série de traba­lhos foram realizados para avalizar as vantagens da presença de doulas. Estes estu­dos ocorreram em locais tão diferentes como os Estados Unidos, Guatemala e África do Sul, demonstrando que o suporte que estas mulheres oferecem não diminui com relação às etnias, latitudes, poder econômico e recursos aplicados na medicina. Os go­vernos podem agir de várias formas: estimulando e patrocinando cursos de formação de doulas, organizando-as como categorias profissionais, orientando médicos e enfer­meiras sobre a importância do trabalho delas e estimulando economicamente a sua presença em hospitais do estado. Os congressos de doulas também poderiam receber subsídios governamentais para que mais mulheres interessadas em auxiliar no parto possam trocar informações com profissionais de outras localidades e contextos.

      Ricardo Herbert Jones é Ginecologista, Obstetra e Homeopata. Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul é autor do livro "Memórias de um homem de vidro - Reminiscência de um Obstetra Humanista" lançado em 2004 e é indicado para quem busca um parto mais digno. A extensa e sólida carreira do "Dr. Ric" inclui palestras sobre Humanização do Parto já proferidas em todo o Brasil e também no exterior. Participou como "expert" do documentário "Orgasmic Birth", de Debra Pascali-Bonaro em 2008 e recentemente do Documentário "O Renascimento do Parto", de autoria de Érica de Paula e Eduardo Chauvet  que contou também com a participação de Marcio Garcia e será lançado em 2012.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A sensibilidade de uma parteira

Sabe aquela imagem idealizada da figura da parteira: velhinha, cabelos brancos, apalpando a mulher em trabalho de parto?

Não, a Tamara não é assim! E muito pelo contrário, é super jovem, cabelos curtos e olhos azuis. Ah! E tem um sotaque um pouco diferente, pois ela é Alemã e vive aqui em Florianópolis há pouco mais de quatro anos. Agora conheça um pouco sobre sua formação e entenda como é o trabalho de uma parteira.
Tamara Hiller é parteira graduada e trabalha independente há pelos menos seis anos. Nascida na Alemanha, onde é comum o trabalho das parteiras nos cuidados com a gestante. Lá essa formação é regulamentada pelo sistema de saúde, onde também os médicos formados não são tão necessários quanto às midwives.
No período em que cursava a faculdade, Tamara fazia estágio atendendo a partos domiciliares e em casas de parto. Acompanhava também o pré-natal e no pós-parto. Diferentemente do Brasil, na Alemanha os médicos quase não atuam na obstetrícia, ele são proibidos de atenderem gestantes sem o acompanhamento de uma parteira, mesmo se tratando de cesárea. Já as parteiras podem fazer todo o trabalho sem a supervisão de um médico.
Tamara Hiller
Foto: Evelyn Silvero
Enquanto trabalhava em seu país de origem Tamara realizou cerca de 300 partos, quase todos junto com mais uma profissional. O atendimento era feito desde o início da gestação, e para isso as parteiras se especializam em atividades que irão auxiliar no preparo do corpo da mulher. As mais procuradas eram a massagem perineal, ginástica pélvica, ioga para gestante e bebê, acupuntura, shantala e curso de preparação para casais. Essas atividades e as consultas eram realizadas nas casas das parteiras ou em casa de parto, mas bem diferentes das que tem no Brasil.
Há quase quatro anos, já no Brasil, nasceu a filha da Tamara, e como não poderia ser diferente, foi em casa e teve o acompanhamento da Equipe Hanami, em Florianópolis. “Foi muito lindo, e eu já sabia como ia ser”, declara. Foram 20 horas de trabalho de parto, e ressalta que as mulheres devem se preparar, pois o parto demora mesmo, é um trabalho árduo e pode levar a mulher aos limites.

E explica que é muito importante não chamar a parteira, ou obstetriz cedo demais, a mulher deve descansar, dormir, caminhar, meditar, estar relaxada, pois será ela quem irá fazer o parto. Segundo Tamara, o problema é que “falta muito preparo das mulheres, elas tem muito medo, deve–se excluir esses pensamentos e perguntas internas, deixar fluir, se entregar completamente ao trabalho, à partolândia, ela deve se concentrar no movimento. A atividade mental inibe, e isso prejudica”.


Um conselho 

A troca de experiências é uma rica fonte de segurança, a gestante deve se reunir com outras mulheres, ouvir histórias, obter mais informações, o marido tem que participar, encontrar com outros casais, para entender como funciona. Tamara assegura que o parto em casa é mais seguro do que no hospital. Michel Odent recomenda ter mais partos em casa com parteiras. “Olhe nos estudos científicos, pode ser perigoso da mesma maneira do que em um hospital, não acreditar no primeiro médico, deve consultar o histórico de partos do médico, confiar em seu corpo, a mulher precisa sentir isso”. 
O quanto a mulher estiver relaxada interfere em como o bebe vai descer, grande ou pequeno não tem diferença, uma vez que o corpo da mulher de adapta gradativamente para o nascimento. No caso de o bebe estiver sentado, deve-se conversar com a parteira para ver qual procedimento tomar, há técnicas muito eficientes para isso, inclusive acupuntura. Portanto, há uma solução antes de optar pela cesárea.


Os benefícios da presença de uma parteira, segundo ela são inúmeros, e comprova que em todos os atendimentos que realizou, apenas 1% foi necessário optar pela cesariana.
Na opinião da parteira, as crianças devem vivenciar esses acontecimentos e serem preparadas para o parto natural. E dá o exemplo de sua filha que desde pequena lê livros infantis onde as historinhas, são de mulheres parindo em casa, com parteira e toda a família acompanhando. Tamara acredita que com essa educação, sua filha estará com a mente e o corpo preparados, sem medos e preconceitos, livre da indústria da cesárea eletiva. E diz que deve se falar sobre isso com naturalidade para as crianças.
Na atualidade, diversos grupos a favor da humanização do parto estão crescendo, ainda são pequenos, mas muito fortes. Ela cita o livro Parto com Amor, de Luciana Benatti e Marcelo Min onde traz lindas histórias de mulheres e que muito bem formulado já está ajudando e muito na divulgação da importância do respeito ao nascimento. “Se por um lado o avanço tecnológico como o parto industrial esta crescendo, esses movimentos a favor de empoderar as mulheres também está em ritmo acelerado” completa.
Tamara alerta para a importância da escolha pelo parto domiciliar; “o parto é uma das coisas mais seguras. A natureza não está brincando. É impossível uma mulher relaxar em um hospital, com toques, entra e sai, voz alta”.  E diz que até em casa deve se preservar o silêncio, nem a parteira pode atrapalhar. Quem acompanha tem que estar consciente, não falar alto, sem luz forte, ajudar fazendo massagens e apenas observar.



O trabalho de parto é demorado

O acompanhamento é feito com a gestante durante toda a gravidez, a parteira acaba conhecendo muito bem o funcionamento do corpo da gestante, e se na hora do parto acontecer algo inesperado ela saberá como agir.  A parturiente só é encaminhada para o hospital se o parto demorar além do esperado ou se esta exigir algum medicamento para controlar a dor.        
Há partos que demoram mais de uma semana para acontecer, isso ocorre principalmente quando é a primeira gravidez. Nesses casos, a parteira verifica se está tudo bem com o bebê e vai embora, mas fica de prontidão para qualquer chamado da mãe. Segundo Tamara, os partos em geral são um processo demorado. E deve-se esperar com calma, de preferência em casa, pois assim que a mulher der entrada em um hospital, terá que aceitar a rotina daquele lugar, sem privacidade ou autonomia sobre seu corpo. “A mulher tem que dilatar um centímetro por hora, e ter que caminhar, se movimentar para acelerar o processo, isso não está certo”, esclarece e diz que talvez se a mulher for para casa dormir, isso irá acontecer naturalmente, “a mulher sabe, ela pode escutar o corpo dela”, completa.



Empreendedorismo em família

Quando perguntei se ela vai voltar a trabalhar agora aqui no Brasil, respondeu que por enquanto não, pois é um trabalho que exige muita dedicação, tem que estar totalmente envolvida com a gestante e sempre disponível para as emergências. Tamara é casada e tem uma filha de quatro anos, no momento pensa em cuidar da família, aproveitar os momentos com a pequena.
Ela adora falar sobre esse assunto, e diz que ainda se sente como parteira, pois o objetivo de conversar e encorajar as mulheres faz parte do trabalho de uma parteira, e é disso que ela mais gosta.
Foto: site slingando.com

Em Florianópolis, Tamara foi uma das primeiras pessoas a usar o sling para carregar sua filha, o que chamou muita atenção de quem via, a paravam na rua para ver o que era, e perguntavam como era possível carregar uma criança dentro de um pano, chegou a fazer um vídeo explicativo sobre o uso do sling. Hoje ela e o marido confeccionam o produto e vendem pela internet. No site slingando.comTamara reuniu, além de informações sobre tipos de carregadores de bebês e seus benefícios, ela disponibiliza artigos importantes sobre amamentação, deaper  free (técnica do bebê sem faldas) ,entrevistas  com profissionais sobre assuntos relacionados à maternidade e fóruns sobre maternidade consciente.

Quanto dói um parto natural?

Artigo
Por Cris Doula

    Sem dúvida um dos maiores medos das mulheres grávidas e também um dos maiores motivos para ter uma cesárea agendada é o grande mito da dor no parto, a dor da morte, e muitas outras besteiras que já ouvi nesses quase dois anos como Doula. Mas será que essa dor é só mito? Será que essa dor é assim tão ruim? Será que para parir um filho é preciso sofrer? Não, para todas as perguntas acima!

      A dor do parto não é um mito, ela existe para praticamente todas as mulheres em trabalho de parto, algumas mulheres toleram ela com uma facilidade maior, outras não. Mas, nós sabemos que o medo está diretamente relacionado com o tamanho do dor, inclusive o tamanho do seu medo será o tamanho da sua dor. E também não é uma coisa constante, a contração vem, dói, e vai embora.

      Quanto mais preparada a gestante estiver, se ela entender a fisiologia do corpo humano no processo, as fases do trabalho de parto, e o que esperar, ela vai passar pelo processo com muita facilidade. Trabalhar esses medos é fundamental, por isso explique para a sua Doula tudo o que você teme, e no trabalho de parto revele os seus medos, só assim ela vai poder ajudar a vencê-los.
      Sempre que eu ouço mulheres dizendo que sentiram muita dor eu faço algumas perguntas, e a GRANDE maioria estava sozinha durante o trabalho de parto, ou com um acompanhante nervoso do lado, ficavam deitadas durante o processo, sem levantar para praticamente nada. Além disso, passaram o trabalho de parto em um ambiente totalmente estressante, onde aumenta a liberação de adrenalina o que faz aumentar a dor, e diminui a ocitocina que faz com que o colo do útero dilate.
      Aliás, esperar pela dor já é um motivo para senti-la, o psicológico é muito poderoso, e todos os filmes e novelas mostram cenas horríveis de mulheres gritando e chorando, mostram o suficiente para assustar as gestantes que já estão sensíveis. Existem várias maneiras naturais de lidar com esse desconforto, bolsa térmica quente, massagens, posições, banho de chuveiro, banho de banheira, entre outros.
     Mas, lembre-se que se com tudo isso, com todas as dicas, você ainda sentir que a dor é mais do que você pode lidar, sempre existe a analgesia peridural.
     Você nunca vai saber como é, como será o tamanho da sua dor, sem tentar. Muitas mulheres dilatam rapidamente e confirmam que a dor é totalmente suportável, outras tem uma tolerância mais baixa, mas TODAS esquecem o que sentiram depois, e TODAS confirmam que vale muito a pena!  Aliás, a cesárea não é indolor, mesmo com todas as medicações e a morfina que a parturiente recebe, quando passa a dor vem. Eu não passei pelo trabalho de parto, mas passei por uma cesárea e lidei com as dores, justamente quando precisava cuidar da minha filha.


Cristina de Melo é Técnica de Enfermagem e Doula
e atende na Grande Florianópolis. 
Seu trabalho principal é no atendimento com a gestante, parto e pós-parto, assim como aleitamento e cuidados com o bebê.
Para contato acesse http://crisdoula.blogspot.com

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

10 dicas para se preparar para o Parto Natural

    Os profissionais da área da saúde devem sempre estar atualizados para dar o melhor atendimento aos pacientes e com as Doulas não é diferente. Cristina Melo, a Cris Doula (que já esteve aqui pelo blog lá no início), durante uma pesquisa encontrou um site da Austrália onde a autora publicou, (entre outros assuntos referentes à gestação, parto e cuidados com recém-nascido), dez dicas extremamente importantes para quem deseja ter um parto natural. E resumidamente traduziu para o português e agora eu coloco aqui à disposição de vocês.


1ª Ignore comentários negativos:
Deixe que entre por um ouvido e saia pelo outro, não discuta com pessoas assim, não vale a pena. Você se informou e sabe o que é melhor pra você.


2ª Leia livros de partos e relatos de Partos naturais:
Pesquisas mostram que mulheres informadas tem partos com muito menos complicações do que as outras e diminuem muito as intervenções como analgesia, fórceps, vácuo extrator, cesárea, etc.


3ª Escolha o melhor local para VOCÊ :
Pode ser um parto domiciliar ou hospitalar, mas escolha o local que você se sente mais segura, se for em um hospital particular tenha um médico de confiança atendendo o seu parto, se for público terá de contar com a sorte de qual plantonista será. Converse com seu parceiro e escolham a melhor opção.


4ª Faça um curso para Gestantes:
Muitas maternidades oferecem cursos de gestantes, algumas até de graça, mas esses cursos podem também ensinar as coisas de um olhar totalmente médico, visando procedimentos e intervenções. Procure fazer cursos direcionados ao parto humanizado, ou profissionais que são a favor do parto humanizado para ensinar essas coisas.



5ª Contrate uma Doula: 

A doula é uma profissional treinada e experiente que oferece apoio físico e emocional a mãe antes, durante e após o parto. Em um mundo como o nosso onde o parto é visto como um procedimento médico, a Doula é uma peça importante que relembra que o parto é fisiológico e natural.

A parturiente que tem uma doula no parto, nunca estará sozinha, e sempre bem assistida. Pesquisas realizadas pela Organização Mundial da Saúde mostram que as mulheres acompanhadas por doulas no parto tendem a ter partos mais rápidos e fáceis, pedem menos peridural ou medicamentos para dor e também a cesárea.

Estão menos propensas a pedir a ocitocina para acelerar o trabalho de parto, tem menos problemas com amamentação, Se sentem muito mais satisfeitas e realizadas com a experiência do parto e diminui muito o risco de depressão pós-parto. Quer mais do que isso TUDO?


6ª Dica Faça um plano de parto: 
Esse plano é uma lista de coisas que você deseja que seja feita ou não no seu parto. Como posições de parto, uso de medicamentos, episiotomia, etc.

Não significa que seu parto sairá como o planejado, eu sempre converso e explico que o parto é sempre uma surpresa, algumas vezes realmente temos que aceitar algo quando realmente necessário e que nunca temos garantia de que o parto será como o desejado.

Mas é extremamente importante que a mulher esteja preparada para uma cesárea NECESSÁRIA e preparada para possíveis intercorrências, e para isso é fundamental que a mulher saiba o que é e o que não é motivo para intervenções. Informe-se!!!


7ª Prepare o seu corpo o máximo possível:
Você pode nunca ter ouvido falar da Massagem Perineal mas ela é uma das melhores maneiras de preparar o períneo para evitar lacerações, uma alimentação saudável e exercícios físicos também vão ajudar seu corpo nesse momento.

8ª Familiarize-se com métodos não-farmacológicos para alívio da dor: 
Pratique relaxamento durante a gestação, pense sempre positivo e visualize o bebê nascendo, prepare o local do nascimento. É muito gostoso um local quentinho,com silêncio e privacidade. 
No início do trabalho de parto continue fazendo as suas coisas normalmente, veja TV, coma e bebê, vá ao cinema, durma se for a noite. Não tem motivo para alarde. 
Mantenha-se ativa durante o dia, use a bola, caminhe e ajude seu corpo sem se desgastar demais. Sinta o seu corpo, a magia da natureza agindo e fazendo o que precisa fazer, agradeça que isso esta acontecendo e que seu bebê está chegando.
Coloque uma música lenta e dance com seu companheiro e/ou acompanhante, celebre esse momento, sorria, relaxe o parto é motivo de felicidade.
Solte todo o seu corpo, durante as contrações principalmente, relaxe, vocalize, abra bem a boca e solte a sua mandíbula, isso vai relaxar seu períneo também. Não fique franzindo o rosto e nem deixe seu corpo tenso.

Lembre-se: VOCÊ PODE FAZER ISSO!

Visualize seu corpo funcionando, seu bebê girando e nascendo. Não esqueça de urinar, sempre que sentir necessidade e evacuar também. O seu corpo precisa continuar fazendo as coisas rotineiras. Use aromaterapia, óleos para massagem são bem relaxantes, e ajudam a meditar. Peça uma massagem nas costas quando sentir a contração, a pressão na lombar e movimentos circulares alivia o desconforto. 
O frio aumenta a intensidade da dor, então, mantenha-se aquecida. Use sempre uma meia.
O chuveiro quente ajuda o corpo e a mente a relaxar e alivia também a dor, tome um banho demorado, 1 hora ou mais. A banheira é recomendado com mais de 7 cms.
Não pense na dor como uma coisa ruim, aprenda a lidar com as contrações, não fuja dela, se concentre no que o seu corpo pede, o que ele quer, e lembre-se isso tudo não é em vão.
São essas contrações que vão trazer seu bebê.
Converse com o seu bebê, deixe que ele saiba que tudo isso também é normal pra ele, e que logo vocês vão se conhecer de uma maneira diferente, e que você mal pode esperar.
Ouça os conselhos da sua equipe humanizada, a sua parteira, a sua doula, o seu acompanhante.
Olhe nos olhos deles e sinta, ouça, VOCÊ CONSEGUE! Mas faça o que o seu corpo quer, ele sabe o que fazer, RESPIRE profundamente e devagar, inspire pelo nariz e expire pela boca.
CONFIE EM VOCÊ E NO SEU CORPO!

9ª Deixe seu macaco agir:
Sim, parece engraçado mas na verdade isso é retirado de um livro de uma parteira super reconhecida chamada Ina May,e ela fala justamente sobre deixar o seu lado primitivo e instintivo agir. Isso inclui tirar a roupa e ficar a vontade, fazer sons, posições, não tenha vergonha nem medo do que vão pensar.
Não fique pensando em remédios, em procedimentos, não fique pensando o quanto falta para dilatar totalmente, não tenha medo de evacuar durante o parto. TODAS as pessoas fazem isso diariamente, pessoas normais, celebridades, princesas. É NATURAL do corpo e a equipe está totalmente acostumada com isso. Não se prenda.

10ª Confie no seu corpo:
Seu corpo instintivamente sabe o que fazer para trazer seu bebê ao mundo. Afinal, ele tem feito isso perfeitamente pelos últimos 9 meses, cuidando desse ser e ajudando a crescer com saúde, sem que ninguém tenha que intervir. Seu corpo não precisa de cursos ou um médico para ensinar como gerar um bebê. Milhões de anos de evolução mostra que o trabalho de parto é controlado pelas partes mais primitivas do cérebro.

Lembre-se que essa ''dor'' é simplesmente uma mensagem para o seu cérebro. Você não está em perigo. E você sabe como controlar essa mensagem, diminuindo e até eliminando. Ensinar seu corpo como fazer isso é a melhor maneira de ter um maravilhoso trabalho de parto onde medicamentos para alívio da dor nem passam pela sua mente. Nossos corpos são especialmente feitos para fazer essa coisa maravilhosa chamado PARTO. Prepare-se também para possíveis intercorrências que a medicina moderna está pronta para atender, uma cesárea necessária é sempre bem vinda.
Mas no final de tudo, sorria, ame e divirta-se com o seu parto. VOCÊ está no controle da sua experiência, dê permissão ao seu corpo para ir além de qualquer inibição e siga o seu corpo.

Cristina Melo é Técnica de Enfermagem e Doula.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

A consulta com a Doula

Uma Doula na vida de muita gente     



Foto: Arquivo pessoal.
  A Cris Doula é a, a acompanhante que presta toda assistência à mulher em trabalho de parto, com muita sabedoria e seriedade. Respeitando sempre o desejo da gestante e permitindo que o nascimento aconteça da maneira mais natural possível. E será minha parceira no blog, doando seus conhecimentos, que certamente irão contribuir e muito na sua gestação e parto.
     Se você tem dúvidas sobre esse assunto, saiba que este espaço também é seu. Fique à vontade para perguntar o que quiser, que irei atrás da melhor resposta para você ficar bem tranquila!
  Nesta primeira postagem, pedi à Cris para que explicasse resumidamente como é o trabalho dela e como iniciou sua carreira. Confira!





O que faz uma Doula?

 Ela tem a responsabilidade de ajudar a gestantes durante a gestação, orientando tanto nos cuidados mais simples como o enxoval, quanto nas decisões sobre o parto. Ela preparada a gestante ou o casal, para o parto e a chegada do bebê. No parto ela fornece apoio físico e emocional além de aliviar as dores com métodos não-farmacológicos. No pós-parto ela continua orientando a nova mãe com os cuidados com o bebê e na amamentação.

Quais as vantagens de ter uma Doula como acompanhante?

Estudos realizados no exterior comprovam que a presença da doula especialmente no parto, pode diminuir a duração no trabalho de parto, os pedidos de analgesia, cesáreas, parto com fórceps, etc.

Por que você quis ser Doula?

Minha mãe era parteira e cresci ouvindo as histórias do parto, com isso cresci apaixonada por gestantes e bebês, atuando como babá sempre que podia. Com 16 anos anos acompanhei meu primeiro parto, e só depois descobri que eu poderia fazer isso que eu amava, profissionalmente. Logo engravidei da minha filha Sofia, e quando ela fez 2 anos decidi que era a hora de fazer o curso e seguir o meu chamado.

Como você avalia o desenvolvimento do parto com sua participação?

 As mulheres ficam muito mais confiantes e tranqüilas sabendo que tem alguém do lado, durante todo o tempo, trabalhando para ela e não para o médico ou hospital. Elas sabem que a Doula vai fazer tudo para facilitar o parto e ajudar no que ela precisar. Elas se sentem seguras, protegidas e apoiadas.


E sobre sua relação com as famílias, como é participar de um momento importante como a hora do nascimento?

É maravilhoso participar desse momento, um momento tão importante e inesquecível, mas é muito especial continuar acompanhando os bebês, o batizado, o primeiro dentinho, os primeiros passos, o primeiro aninho etc. Tenho muita sorte de ser acolhida por essas famílias, de ser convidada para acompanhar o crescimento deles. Sou abençoada!


Se você estiver pensando em convidar uma doula para te acompanhar, mande um e-mail para a Cris e tire suas dúvidas. O endereço é: cris.sofia20@hotmail.com ou acesse o blog

Meditação e Yoga para gestantes

Meditação e exercícios que auxiliam no trabalho de parto

   A prática de exercícios durante a gravidez dá à mulher mais disposição, evita sedentarismo e entre outros benefícios, equilibra a respiração, parte importante no preparo para o parto, são resultados de um estudo publicado no The Cochrane Library (2010). A jornalista e autora do livro Parto com Amor, Luciana Benatti, publicou este mês no informativo da Casa Moara, que os exercícios físicos durante a gestação vão muito além do bem-estar, clique aqui para ler na íntegra.
   Antigamente a gestante mesmo com a saúde em ordem, tinha que evitar ao máximo até mesmo ficar em pé por muito tempo e passava a maior parte da gravidez em repouso na cama. Isso ficou no passado, pois, atualmente os médicos indicam que as grávidas se exercitem, mantenham uma dieta equilibrada, enfim tenham uma vida mais saudável, tudo com muita cautela, sem prejudicar o bebê.
   Ah! Você não é muito fã de academia? Não tem problema, pois há várias maneiras de se exercitar, e até mesmo sem precisar sair de casa. E para te auxiliar nessa tarefa, fui atrás de especialistas que irão te orientar sobre como é possível se movimentar com prazer. Sob a coordenação da professora de Yogaterapia para gestantes, Suzana Joffily Cruz, preparei algumas dicas de exercícios que você conseguirá fazer em casa sozinha ou com ajuda do companheiro. 
   Mas, antes de iniciar, fique sabendo de três dicas muito valiosas para realizar essa prática e também para se conhecer melhor e carregue-as sempre junto de si:
- Meditação;
- Conhecimento;
- Relaxamento.
   Segundo Suzana, na Yoga é fundamental a meditação pois, "O foco da Yoga é a disciplina da mente". Conhecer o próprio corpo permite que o mundo "se abra", e a gestante tem que ter em mente que o mais importante para ela é o contato com o bebê. E por último, relaxe! Saia do mundo físico pense sempre em coisas positivas, pois elas acontecerão.

   Agora vista uma roupa leve e procure um lugar tranquilo da sua casa, com pouca luz para que você possa relaxar. Você vai precisar de almofadas ou travesseiros e de um tapete macio retangular. Se quiser colocar uma música suave, também ajuda.  Ajeite-se, encontre uma posição confortável. 

Sabe a famosa posição do Buda?
Foto: Google

    Originalmente é chamada de posição de Lótus, onde deve-se sentar com a coluna ereta, cruzar as pernas e colocar os pés em oposição às coxas. Esta posição trabalha a flexibilidade das articulações dos joelhos e tornozelos e ainda tonifica  os órgãos abdominais e coluna. Portanto, agora tente se posicionar e caso sinta algum desconforto ou dor, levante e alongue-se um pouco. Se a barriga estiver grandinha, você pode ficar deitada com a cabeça apoiada em um travesseiro e as pernas em outro.

  Vamos lá?

  Tenha consciência de que meditação é não é bem um exercício, mas sim, o ápice do relaxamento. Acredite que quanto mais relaxada e concentrada estiver, melhor será seu desempenho no trabalho de parto. As dores irão existir, porém se você se ajudar, controlando sua mente, tudo irá fluir com mais tranquilidade. Lembre-se; você é a protagonista do seu parto!
  Agora é hora de fechar os olhos, e iniciar os movimentos de respiração. Primeiro inspire profundamente, e solte o ar com calma, repita algumas vezes, sempre imaginando que está fazendo uma limpeza interna. Não tenha pressa!
  Sinta seu corpo relaxando progressivamente, da cabeça aos pés, diga em pensamento as partes do corpo que estão relaxando; "meu braço direito está relaxando, meu punho está relaxado..." Não ache estranho, fale mesmo!
  Assim que estiver bem relaxada, guie seus pensamentos para coisas positivas que gostaria que acontecessem, deseje saúde e paz a você, ao seu bebê, à sua família. Faça, pois, elas acontecerão.
   Assim que você entrar no clima, vai perceber o quanto lhe fará bem essa dedicação à você mesma. 
   Para terminar, antes de se levantar, espreguice-se, una as mãos em posição de prece e inspire, ao soltar o ar, entoe o mantra "Om", sinta a vibração do corpo. Depois, esfregue uma mão na outra e coloque sobre os olhos em formato de concha, abra os dedos delicadamente e finalize curvando-se para frente repetindo "Namastê", em forma de agradecimento.
   Viu como é fácil?
    Lembre-se, meditação é um momento de paz, de encontro com o seu eu interior, não apresse as coisas. Treine um pouco todos os dias, pense que essa novidade é um preparo para a chegada do seu bebê que está aí dentro de você. Agora que você já consegue meditar, tente fazer sozinha, ou convide seu parceiro, ou uma amiga e compartilhe.


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sexo ajuda no parto afirma obstetra

   Para lançar a primeira postagem no blog "Planejando o parto em casa", convidei o obstetra e clinico geral, Dr. Pedro Schmidt que é de Florianópolis. Uma pessoa muito simpática e com humor extraordinário que contou um pouco da profissão que já atua há mais de 30 anos.
  Pedro, ou melhor Pedrão, como todos o conhecem, é um médico um pouco diferente do convencional, pois ele deixa que a escolha seja feita pelo paciente, ou pela paciente, já que neste caso estamos falando de obstetrícia. 
  É um dos poucos profissionais que atende a partos domiciliares na Grande Florianópolis e nesses 30 anos foram mais de 400 bebês trazidos ao lado de cá, não por suas mãos, apenas em sua presença. E como ele mesmo disse, "é a mulher quem faz o parto, eu apenas fico ali caso precisem de mim".
Pedro Schmidt defensor do parto domiciliar
  Segundo Pedro toda mulher tem capacidade de ter um parto natural. E o mais importante é fazer um ótimo pré-natal, e se for preciso, deve mudar de médico também.
  Uma história muito curiosa contada por ele onde uma parturiente já ha algumas horas em trabalho de parto  e o marido pergunta a ele se há algo que eles possam fazer para acelerar o processo e Pedro então responde que sim. Sexo! Segundo ele não há indução que funcione melhor. E seguindo orientação, o casal manteve relações no chuveiro o que proporcionou um grande alívio para a mãe, pois ela conseguiu relaxar. Dentro de pouco tempo tiveram que chama-lo, o bebê finalmente estava coroando! Nasceu super bem, sem qualquer problema, direto para o colo da mãe.
  Pedro ainda ressalta que não há nada mais íntimo do que um parto. Se for comparar a uma relação sexual, por exemplo, ninguém pratica na presença de outras pessoas, por que com o parto deve ser diferente? "A intimidade do casal deve ser preservada, e o nascimento mais ainda. O primeiro contato do bebê deve sempre ser com a mãe". Completa.
  Muitas das mulheres da família de Pedrão tiveram o parto com o acompanhamento dele, inclusive seus dois filhos que nasceram em casa. Na época ele foi para Curitiba estudar a técnica do parto de cócoras com um conceituado médico que era amigo seu. E contou que ele e a esposa tiveram um certo receio, por ser em casa, mas que não cogitavam a hipótese de ir para um hospital, pois haviam se preparado muito para esse momento.