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domingo, 4 de dezembro de 2011

Revolução cultural sobre o nascimento e mais com Dr. Ric Jones

    Estava ansiosa por esta entrevista, para ler e publica-la, mas devido a falta de tempo não conseguirei editar, pois minha banca já será amanhã e estou correndo com a apresentação. Peço desculpa por postar na íntegra, mas acredito que isso também irá contribuir com sua leitura, pois aqui está a mais sincera e objetiva opinião do Dr. Ricardo Herbert Jones, profissional com extensa carreira na medicina e militante de importantes movimentos pró humanização do parto.

     Quando se ouve que o Brasil é atrasado em relação à humanização do parto (com­parado aos países europeus), acaba sendo culpa da tecnologia que para acelerar o processo, esqueceu-se que a mulher deve ser ouvida e respeitada du­rante o parto. Como usar esse avanço tecnológico a favor, mas sem inibir a atua­ção da mulher?

    O atraso que percebo no Brasil não está ligado à disponibilidade de tecnologia, mas à falta de um debate moderno sobre as questões relacionadas aos direitos humanos re­produtivos e sexuais. Não é possível perceber nenhuma distinção entre as facilidades tecnoló­gicas oferecidas à classe média brasileira para o acompanhamento de um parto daquelas oferecidas ao mesmo estrato social euro­peu. Entretanto, a possibilidade de uma mulher aí inserida ser submetida a uma cesa­riana é muito maior no Brasil do que na Europa. A razão para esta discrepância é emi­nentemente cultural, e não econômica. As questões econômicas estão restritas ao SUS e suas dificulda­des, mas os usuários do sistema estatal de saúde tem uma chance muito maior de conseguirem um parto vaginal. Infelizmente este parto será invariavelmente repleto de intervenções e envolto pela aura obscura da violência institucional. Recentes pesquisas demonstram que 27% das paci­entes do sistema público sofrem algum tipo de violência durante a assistência ao parto, seja verbal, física ou moral. Mesmo as do sistema privado também são víti­mas dessa violência, mas em número um pouco menor: 17%. As propostas da huma­nização do nascimento, por exemplo, beneficiam o bom uso de tecnologia, e reforçam o conceito de que esta só pode ser aplicada em circunstâncias especiais, e sempre para resguardar o bem estar do binô­mio mãebebê. Diante do questionamento fre­qüente sobre os limites da utilização de tecnologia, eu estabeleci uma proposta de as­sistência humanizada ao nascimento que se assenta sobre um tripé conceitual:

    1. O protagonismo restituído à mulher, sem o qual estaremos apenas "sofisti­cando a tu­tela" imposta milenarmente pelo patriarcado.
    2. Uma visão integrativa e interdisciplinar do parto, retirando deste o caráter de "pro­cesso bi­oló­gico", e alçando-o ao patamar de "evento humano", onde os aspectos emocionais, fisiológicos, sociais, culturais e espirituais são igual­mente valorizados, e suas específicas necessi­dades atendidas.
    3. Uma vinculação visceral com a Medicina Baseada em Evidências, deixando claro que o mo­vimento de "Humanização do Nascimento", que hoje em dia se espalha pelo mundo in­teiro, funciona sob o "Império da Razão", e não é mo­vido por crenças religio­sas, idéias místicas ou pressupostos fantasiosos.

      Sendo grande ativista na Medicina Baseada em Evidências, como avalia o con­flito MBE x novas tecnologias para o nascimento?

    Eu particularmente não vejo conflitos nessa área. Existem pesquisas e revisões siste­máticas que são publicadas todos os dias a respeito de novas abordagens sobre o nascimento. Conforme expressei anteriormente, a Medicina Baseada em Evidências é parte integrante de uma estratégia para a humanização do nascimento. Antes da intro­dução desta importante ferramenta as condutas com gestantes em centros obstétricos eram marcadamente ideológicas, normalmente refletindo os valores pessoais dos chefes de serviço. O modelo de atenção seguia uma hierarquia totêmica e, portanto, os mais graduados é que ditavam regras, que muitas vezes não refletiam o estado da arte da ciência obstétrica. Entretanto, apesar do longo tempo em que a MBE está ofere­cendo orientações aos profissionais da assistência ao parto, ainda existem muitas con­dutas que precisam ser revistas. Entre tantas podemos citar a monitorização eletrônica contínua e a episiotomia, que apesar de não oferecerem benefícios quando utilizadas de rotina, ainda são usadas nos hospitais brasileiros muito além da sua necessidade. O conflito entre a Medicina Baseada em Evidências e a Prática Médica só vai terminar quando a mitologia contemporânea de “transcendência tecnológica” for substituída por uma forma mais racional de atenção ao parto, maximizando a atenção aos aspectos emocionais, psicológicos, afetivos, sociais e espirituais da gestante e sua família, ao mesmo tempo em que usa o recurso tecnológico com extrema parcimônia.

     Como empoderar as mulheres para que elas acreditem em si, compreendam que não devem se entregar a uma única opinião médica e devem se afastar de pes­soas com ideais contrários?

     A melhor forma - e a mais difícil e lenta - é através do exemplo e da informação. Os grupos de mulheres grávidas e o ativismo institucional (ReHuNa, Parto do Princípio, etc.) são formas de organização “de baixo para cima” que poderão oferecer frutos em médio e longo prazo. A internet cumpre um papel fundamental de disseminação das novas ideias relacionadas com o nascimento. Nunca houve tantas mulheres informa­das sobre as opções que existem ao seu dispor no que se relaciona ao nascimento. Muito disso se deve aos grupos temáticos da rede internacional de computadores, onde as pessoas podem trocar informações entre si e com profissionais da saúde, ob­jetivando a ampliação da gama opções para encontrar a forma mais adequada e pes­soal de parir com segurança e conforto. Assim sendo, pelas características específicas do projeto de humanização0 do nascimento, os resultados só podem ser em longo prazo, pois se trata de uma “revolução” que tem a ver com a sedimentação de novos valores sociais relacionados com a própria posição da mulher na cultura. Tais altera­ções nos núcleos valorativos da sociedade não ocorrem por decreto, mas através de uma lenta adequação.

       A gestante pouco planeja o parto, (parte fundamental) e se apega aos itens materi­ais da gestação. Isso pode causar danos? Quais?

        O pior de todos os problemas é a alienação. Ao desconsiderar as múltiplas alternativas que, em teoria, existem para o seu parto e focalizando-se nas necessidades “munda­nas” relacionadas a ele (qual o hospital, que acomodações, quanto custa, etc.) e à chegada do bebê (bebê conforto, fraldas, quarto do bebê, etc.) ela acaba desviando a atenção para as decisões importantes que precisará tomar. Quando a paciente e seu companheiro não são atuantes e participativos na tomada de decisões, o profissional assume a dianteira e o controle do processo. A partir daí o parto não mais lhes per­tence, mas será do profissional responsável. Ele tomará as decisões, mas como as responsabilidades também lhe cabem, tais decisões vão acabar contemplando as ne­cessidades do profissional, e não os desejos e aspirações do casal. Empoderar casais significa garantir a eles as rédeas da gestação através do conhecimento e da responsabilização conjunta. Somente assim teremos uma verdadeira revolução cultural sobre o nasci­mento.

        Qual o problema ao induzir um parto em uma gestante com mais de 41 semanas? Há alguma alternativa natural à indução medicamentosa? Ou deve-se esperar o bebê querer nascer?

       Induzir um trabalho de parto é uma intervenção médica que induz riscos. A ocitocina é um hormônio potente, que propicia contrações muito fortes, e por vezes violentas. As contrações artificialmente determinadas acabam diminuindo o aporte de oxigênio para a placenta. Desta forma, menos oxigênio e nutrientes chegarão ao bebê. Muitas vezes isso se traduz por alterações nos batimentos cardíacos fetais, e o processo que poderia ser natural termina em uma cesariana. Evitar este tipo de interferência no processo deve ser um objetivo de todo o profissional que deseja um parto mais seguro para sua pacientes. O simples fato de chegar às 41 semanas não deve ser encarado como um “fim de linha” para o nas­cimento, mas um momento em que se deve monitorar de forma mais intensiva o bem estar do feto, utilizando os protocolos adequados para este fim. Aguardar ou intervir deve sempre ser discutido com o casal, oferecendo a eles a participação nas decisões.

        A escolha pelo parto domiciliar está ganhando muitos adeptos, alguns porque gos­tam da “poesia” que isso passa e outros para evitar os possíveis traumas causados em um hospital. O que deve ser levado em consideração para que esse sonho seja possível? 

     Partos domiciliares somente podem ocorrer em pacientes de baixo risco. Isto é: não se admitem pacientes portadoras de hipertensão, diabete, doenças do colágeno, malfor­mações ósseas maternas da pelve ou em que a gestação seja prematura, entre outras contra-indicações. Além disso, tais partos precisam ter planos alternativos muito bem elaborados e estudados. É preciso que os profissionais que o atendem tenham experi­ência e conhecimento das características de um parto no domicílio. Precisam também de equipamento adequado para a atenção de urgência de mães e bebês. É funda­mental a existência de um hospital de referência que esteja há pelo menos 30 minutos de distância de onde o parto está para ocorrer. E, por fim, é preciso que o casal esteja plenamente ciente e de acordo com esta opção, reconhecendo os riscos e benefícios de um nascimento extra-hospitalar, e auxiliando os profissionais que os acompanham,

        É comprovado cientificamente que a presença da Doula realmente ajuda no equilí­brio do TP e hoje existem vários cursos para essa formação. De que ma­neira, o Governo poderia ajudar a população mais carente, uma vez que o traba­lho da Doula é particular?

      As vantagens da presença da doula são conhecidas desde o início da década de 90, através dos trabalhos iniciais de Klaus & Kennell. Posteriormente, uma série de traba­lhos foram realizados para avalizar as vantagens da presença de doulas. Estes estu­dos ocorreram em locais tão diferentes como os Estados Unidos, Guatemala e África do Sul, demonstrando que o suporte que estas mulheres oferecem não diminui com relação às etnias, latitudes, poder econômico e recursos aplicados na medicina. Os go­vernos podem agir de várias formas: estimulando e patrocinando cursos de formação de doulas, organizando-as como categorias profissionais, orientando médicos e enfer­meiras sobre a importância do trabalho delas e estimulando economicamente a sua presença em hospitais do estado. Os congressos de doulas também poderiam receber subsídios governamentais para que mais mulheres interessadas em auxiliar no parto possam trocar informações com profissionais de outras localidades e contextos.

      Ricardo Herbert Jones é Ginecologista, Obstetra e Homeopata. Formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul é autor do livro "Memórias de um homem de vidro - Reminiscência de um Obstetra Humanista" lançado em 2004 e é indicado para quem busca um parto mais digno. A extensa e sólida carreira do "Dr. Ric" inclui palestras sobre Humanização do Parto já proferidas em todo o Brasil e também no exterior. Participou como "expert" do documentário "Orgasmic Birth", de Debra Pascali-Bonaro em 2008 e recentemente do Documentário "O Renascimento do Parto", de autoria de Érica de Paula e Eduardo Chauvet  que contou também com a participação de Marcio Garcia e será lançado em 2012.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A escolha consciente do parto em casa

    De acordo com a parteira Marília Largura, “escolher dar à luz em casa, constitui uma decisão totalmente responsabilizante”, pois ninguém mais será responsável pelo seu parto senão você. Por isso é extremamente importante ter noção do que irá acontecer e estar muito bem informada. Ter contato com pessoas que já vivenciaram essa experiência ajuda bastante, hoje nas redes sociais há diversos grupos em prol da humanização do parto e do parto domiciliar, onde os membros são maioria casais, médicos, parteiras, doulas e ativistas adeptos ao tema e colocam em discussão assuntos relacionados e todos podem contribuir com conhecimento e tirar dúvidas.
      O primeiro passo para que o parto seja um sucesso é fazer um bom pré-natal e certificar-se de que você e o bebê estão realmente saudáveis, esse acompanhamento deve ser feito preferencialmente por um profissional humanista, que já tenha muita experiência com o tipo de parto que você deseja para que no final você não tenha surpresas desagradáveis, e se necessário, procure outros médicos.
     Saiba que a decisão deve ser concordada pelo casal, não adianta você estar  animada com a ideia, se seu companheiro não está de acordo. Mas isso não significa que você deva desistir de seu sonho, ajude seu parceiro, tente esclarecer suas dúvidas, com as mesmas informações que te fizeram avaliar que o parto em casa é seguro. Uma boa alternativa é convidar uma Doula para que além de te acompanhar em todo o processo do parto, converse com seu marido, assim ele ficará mais tranquilo com a escolha.
      A escolha pelo parto domiciliar merece muito tempo de antecedência, pois vocês têm que se preparar para algumas mudanças de hábito e principalmente assimilar a ideia e ter certeza de que é a melhor opção. Os profissionais que irão lhe atender também devem ser contratados com antecedência, pois geralmente eles trabalham em equipes bem pequenas ou muitos sozinhos e por isso têm que se organizar.
     A notícia da escolha do casal pode ser divulgada à família, mas não é uma obrigatoriedade. Se seus familiares forem um tanto resistentes ao assunto vocês podem ir falando aos poucos, e se perceberem que ainda há quem seja contrário, não o convide para estar presente no parto, ele poderá atrapalhar.

A dor

   Marília Largura atenta também para esse vilão que intimida muitas mulheres e diz que ela existe sim, “é uma realidade que não pode ser negada”. Vivemos em uma sociedade que usa todos os artifícios possíveis para fugir da dor. Ela está presente no cotidiano de milhões de pessoas, que correspondem coletivamente pelo uso ilimitado de toneladas de analgésicos, uma solução estritamente química e eficaz somente a curto prazo.
  A mulher, ao dar à luz, traz sua bagagem, suas experiências que tiveram início quando criança nas primeiras quedas e machucados, nas doenças próprias da infância, nas frustrações e desejos não satisfeitos. Passou por momentos de dor física e psíquica. Quando adulta e grávida, ela deve se preparar de maneira realista para o imenso desafio que representa o trabalho de parto. 
    Embora possa parecer louvável o ponto de vista humano, não devemos amenizar o fato com palavras substitutas como “contração” ou “desconforto”. A verdade deve ser dita para evitar que ela se descontrole no momento da dor, o que iria prejudica-la ainda mais. A dor aparece sempre num contexto que influencia a maneira pela qual nos atinge.
    Entre os fatores que aumentam a nossa percepção da dor, estão o medo, o estresse mental, a tensão, a fadiga, o frio, a fome, a solidão, o desamparo social e afetivo, a ignorância do que está acontecendo, um meio estranho ao que estamos habituados. Entre os fatores que reduzem nossa percepção da dor, temos o relaxamento, a confiança, uma informação correta, o contato contínuo com pessoas familiares e amigas, o fato de estar ativa, descansada e bem alimentada num meio familiar confortável e o fato de permanecer no instante presente e de viver as contrações uma a uma.

Marilia Largura é Parteira e formada em Enfermagem pela Escola da Cruz Vermelha e Doutora pela UFRJ, participou ativamente de mais de 5 mil partos e hoje com 76 anos continua atendendo a partos domiciliares e é também a autora do livro “A assistência ao parto no Brasil” que aborda temas como o parto humanizado e domiciliar.

Contato: mlargura@ajato.com.br
www.partohumanizado.com.br

domingo, 27 de novembro de 2011

Programa Vida e Saúde fala sobre Parto Domiciliar

      O Programa Vida e Saúde que foi ao ar no dia 26/11/2011 teve como um dos assuntos abordados o parto domiciliar e contou com a participação especial da Joyce Koettker e da Iara Silveira que são integrantes da Equipe Hanami de Florianópolis.

  
      A pauta foi sugerida por mim, Evelyn, como parte final do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e para isso o blog tinha que ser divulgado na mídia. Apesar de ter sido uma matéria curtinha, foi muito bom ter tido essa experiência não somente por ter cumprido um requisito do trabalho, mas, por levar esse assunto de uma maneira tão aberta e ter sido tão bem recebido. 


    Clique no link e assista a nossa participação que está no primeiro bloco do programa.   

   Confira as fotos do making of da reportagem que foi gravada no dia 11 deste mês no Parque de Coqueiros e além das Hanamigas, a Maíra Biral que teve parto domiciliar com o acompanhamento da equipe, também participou.

Joyce Koettker
Foto: Evelyn Silvero

Iara Silveira
Foto: Evelyn Silvero

Maíra Biral
Foto: Evelyn Silvero

Evelyn Silvero
Foto: Cinegrafista RBS TV


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Quanto dói um parto natural?

Artigo
Por Cris Doula

    Sem dúvida um dos maiores medos das mulheres grávidas e também um dos maiores motivos para ter uma cesárea agendada é o grande mito da dor no parto, a dor da morte, e muitas outras besteiras que já ouvi nesses quase dois anos como Doula. Mas será que essa dor é só mito? Será que essa dor é assim tão ruim? Será que para parir um filho é preciso sofrer? Não, para todas as perguntas acima!

      A dor do parto não é um mito, ela existe para praticamente todas as mulheres em trabalho de parto, algumas mulheres toleram ela com uma facilidade maior, outras não. Mas, nós sabemos que o medo está diretamente relacionado com o tamanho do dor, inclusive o tamanho do seu medo será o tamanho da sua dor. E também não é uma coisa constante, a contração vem, dói, e vai embora.

      Quanto mais preparada a gestante estiver, se ela entender a fisiologia do corpo humano no processo, as fases do trabalho de parto, e o que esperar, ela vai passar pelo processo com muita facilidade. Trabalhar esses medos é fundamental, por isso explique para a sua Doula tudo o que você teme, e no trabalho de parto revele os seus medos, só assim ela vai poder ajudar a vencê-los.
      Sempre que eu ouço mulheres dizendo que sentiram muita dor eu faço algumas perguntas, e a GRANDE maioria estava sozinha durante o trabalho de parto, ou com um acompanhante nervoso do lado, ficavam deitadas durante o processo, sem levantar para praticamente nada. Além disso, passaram o trabalho de parto em um ambiente totalmente estressante, onde aumenta a liberação de adrenalina o que faz aumentar a dor, e diminui a ocitocina que faz com que o colo do útero dilate.
      Aliás, esperar pela dor já é um motivo para senti-la, o psicológico é muito poderoso, e todos os filmes e novelas mostram cenas horríveis de mulheres gritando e chorando, mostram o suficiente para assustar as gestantes que já estão sensíveis. Existem várias maneiras naturais de lidar com esse desconforto, bolsa térmica quente, massagens, posições, banho de chuveiro, banho de banheira, entre outros.
     Mas, lembre-se que se com tudo isso, com todas as dicas, você ainda sentir que a dor é mais do que você pode lidar, sempre existe a analgesia peridural.
     Você nunca vai saber como é, como será o tamanho da sua dor, sem tentar. Muitas mulheres dilatam rapidamente e confirmam que a dor é totalmente suportável, outras tem uma tolerância mais baixa, mas TODAS esquecem o que sentiram depois, e TODAS confirmam que vale muito a pena!  Aliás, a cesárea não é indolor, mesmo com todas as medicações e a morfina que a parturiente recebe, quando passa a dor vem. Eu não passei pelo trabalho de parto, mas passei por uma cesárea e lidei com as dores, justamente quando precisava cuidar da minha filha.


Cristina de Melo é Técnica de Enfermagem e Doula
e atende na Grande Florianópolis. 
Seu trabalho principal é no atendimento com a gestante, parto e pós-parto, assim como aleitamento e cuidados com o bebê.
Para contato acesse http://crisdoula.blogspot.com

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Parto sem episiotomia e lacerações? Sim isso é possível!

      E a grande aliada para evitar esses acontecimentos desagradáveis é a massagem perineal. A fisioterapeuta gestacional Mariana da Rosa fala um pouco sobre os benefícios dessa massagem e ensina como você pode fazer em casa. Confira.

Quando as gestantes pensam em parto normal, a primeira coisa que lhes vem a cabeça é: E os músculos da vagina? E o corte? E como vai ficar depois?
Aí entra em cena, uma técnica da fisioterapia chamada massagem perineal, onde são feitos alongamentos manuais no tecido da vagina para aumentar a flexibilidade e preparação para a saída do bebê. Junto com a massagem é realizado o fortalecimento do períneo, e essas duas técnicas se feitas em conjunto, diminuem significativamente a necessidade de realizar o corte na vagina chamado de episiotomia e ainda previne uma futura incontinência urinária por fraqueza muscular.

IMPORTANTE: Essa técnica é utilizada a partir de 34 semanas.


INSTRUÇÕES:

- Encontre um lugar onde se possa sentar e estar sozinha, ou com seu parceiro, ininterruptamente.

- Tente ver seu períneo com ajuda de um espelho, note como ele é. Nem sempre será necessário um espelho para essa tarefa!

- Pode usar compressas com toalhas mornas no períneo por 10 minutos, ou tomar um banho morno (de banheira, assento, ou chuveiro, em último caso), caso precise relaxar.

- Lave as suas mãos e peça ao seu companheiro para fazê-lo também, caso ele a ajude nas massagens.

- Lubrifique seus dedos polegares e o períneo. Você pode usar muitos tipos de lubrificantes: Gel Lubrificante Íntimo (encontrado nos hipermercados e farmácias), KY Gel®, óleo de vitamina E, óleo vegetal puro (óleo de semente de uva é uma boa indicação!), etc.

- Coloque seus dedos polegares um pouco dentro de sua vagina, empurre-os para baixo e pressione para os lados. Deve sentir um leve estiramento, formigamento, ou uma leve queimação, mas nada que seja dolorido. Mantenha esse movimento por 2 minutos ou até que região fique levemente adormecida.

Observe a figura:

- Se sofreu uma episiotomia ou lacerações prévias, preste especial atenção ao tecido de cicatrização que, geralmente, não é tão elástico e é onde a massagem deve ser feita mais intensamente, com cuidado.

- Massageie em volta e por dentro da região mais externa da vagina e seus tecidos, onde ela se abre, e mantenha sempre a lubrificação.

- Use seus polegares para puxar um pouco os tecidos, forçando-os a abrirem-se, imagine como seria se a cabeça do seu bebé estivesse fazendo esse movimento na hora do parto.

- Se seu parceiro estiver fazendo a massagem, pode ser muito útil que ele use os polegares. A sensação pode ser mais bem percebida por você, mas não deixe de guiá-lo com suas sensações para que ele saiba qual a pressão que deve utilizar. Nesta massagem, quando ela está sendo feita pelas primeiras vezes, é comum que seja possível usar somente um dedo, até que a musculatura seja trabalhada e possa ser estendida.


ATENÇÃO:

1. Evite mexer no ou abrir o orifício da uretra (logo acima da vagina) para evitar infecções urinárias.
2. Não faça massagens no períneo se você tiver lesões ativas de herpes (isso pode causar o aumento da área das lesões).
3. Pode começar essas massagens em torno da 34a semana de gravidez. Se já passou da 34a semana e ainda não começou, não desista! A massagem pode trazer-lhe benefícios ainda assim. Pode fazê-la pelo menos uma vez por dia.
4. Lembre-se que a massagem sozinha não vai proteger seu períneo, mas ela é parte de um grande esquema. Escolher uma posição vertical para parir (de cócoras, de joelhos, sentada etc.) favorece a distribuição de pressão no períneo. Se escolher parir deitada de lado, isso também reduz muito a pressão no períneo. Deitada de costas, totalmente na horizontal, é a posição para parir em que há mais chances de se provocar lacerações e necessidade de episiotomia.

Fonte: Humpar



Mariana da Rosa é formada pela Faculdade Assis Gurgacz e mora em Toledo no Paraná.
Seu principal trabalho é com a saúde da gestante, pré, peri e pós-parto. Além de atender particular, mantém parceria com a Secretaria de Saúde do Município de Toledo acompanhando gestantes e preparando para o parto.
A clínica fica na Rua Santos Dumont anexo ao Hospital Bom Jesus
Telefone para contato 45 9945 8148


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

"Fiquei com vontade de virar parteira"

   A decisão da administradora Mariana Maffeis Feola, 32 anos, de escolher o parto domiciliar para o nascimento da filha Joana além de ter transformado completamente a vida dela, ajudou a dar visibilidade nacional à técnica. Mariana, é filha da apresentadora do programa Mais Você da Rede Globo, Ana Maria Braga, que desde que a neta nasceu o tema é recorrente no programa diário.  
   Em uma pequena entrevista, Mariana conta como foi sua preparação física e psicológica, as surpresas no meio do caminho, fala sobre a descoberta como mãe, e muito mais, confira com exclusividade a íntegra da entrevista.
 Mariana e Joana
Foto: Arquivo pessoal

Como foi a escolha pelo parto domiciliar?
A escolha pelo parto domiciliar foi, segundo palavras do maridão, sem querer-naturalmente! Nossa amiga e doula nos deu aulas de ioga no período gestacional e ela mesma havia ganho sua pequena em um parto domiciliar. Após frequentar um encontro de gestantes sobre o tema, sabíamos o porquê de nossa presença lá: teríamos um parto domiciliar para o nascimento de nossa filha. Aquela era a opção que ia ao encontro de nossos anseios mais íntimos. Por ser a nossa professora instrutora de ioga, havíamos inicialmente pensado que partos domiciliares eram para pessoas como ela apenas, com uma relação com o corpo altamente desenvolvida. No encontro de gestantes percebemos que era uma opção viável para todas as famílias que se propusessem a tal.

E a notícia da opção do casal, qual foi a reação dos familiares e amigos?
Inicialmente todos ficaram surpresos e um pouco preocupados. Ao mesmo tempo, sabiam que era a nossa cara. Como li muito e pesquisei sobre o tema, aos poucos os mais amedrontados foram ficando mais confiantes em nossa escolha. O mais importante é o preparo da própria parturiente. Isso sim é crucial!


Foi tudo como você imaginava?
Após lermos muitos relatos, de partos domiciliares em todo o mundo, meu imaginário estava repleto de imagens que se fundiam em uma só: o bebê nascendo! Parturientes na banheira, olhares introspectivos, êxtases. Diversas posições para o nascimento: deitadas, em pé, de cócoras, de quatro. O que seria que aconteceria com a minha experiência? Talvez tudo? Sim, foi isso. Acredito que no fundo da alma talvez saibamos como seriam os nascimentos dos filhos que de nós saem, e sairão. O trabalho de parto é o momento em que esta conexão se estabelece um rodamoinho sem volta; intenso, denso, solene. A surpresa foi a bebê nascer muito rápido no final. Em apenas três ondas de contração para o período expulsivo, nasce uma bebê, quase escorregada, se rompe o cordão naturalmente, e apenas a amiga e doula realmente estava presente no rápido instante do nascimento de Joana. E eu, estava pronta para a vida!

O que mais te surpreendeu durante todo o processo do trabalho de parto e parto?
Me surpreendi com a gama de sensações, até então novas. Mistura de medo, ansiedade, felicidade, responsabilidade. Diversas nóias iam sendo desmontadas, descontruídas. Outras confianças iam aparecendo. O melhor momento, quando a dilatação chegou ao máximo e toda aquela espera havia passado. O momento era de atividade; uma sensação de grande prazer chegou. Eu sabia enfim que a bebê estava para nascer.


Você se alimentou, caminhou, ficou realmente bem à vontade?
Não quis comer nada durante quase todo o trabalho de parto. Estava com o estômago “esquecido”. Apenas ao final de tudo, quando as energias pareciam se esgotar, meu marido surgiu com a cajuína salvadora. Aquilo foi um néctar para a alma. Aquelas calorias foram direto para onde deveriam, e a força voltou. Experimentei diversas posições: sentada, deitada, de quatro; banheira, chuveiro quente nas costas. Dormi profundamente entre ondas de contração! Mas foi dependurada no cabideiro, posição sugerida pela doula, que a bebê veio ao mundo. Aquela sustentação me ajudou muito nos poucos empurrões finais. Sim, fiquei muito à vontade. Estava em casa!

Sobre seu preparo físico e psicológico, o que você procurou saber e quais eram seus receios?(se puder citar algum exercício físico que praticou e livros que você tenha lido)
Li muito e pratiquei muita ioga. Como a doula havia experimentado ela mesma um parto domiciliar, além de ser minha professora de ioga, conversávamos muito sobre o parto. Também frequentamos vários encontros para gestantes. Nas aulas de ioga, fazíamos visualizações e exercícios para o períneo, conjunto de músculos que exercem um papel fundamental no momento final do parto. Também fiz uso do aparato alemão Epi-no, para assim experimentar a dilatação dos músculos do períneo, que ficou intacto! Procurei não alimentar receios. Em realidade a bebê encontrava-se sentada na trigésima semana gestacional e por isso procurei uma profissional que aplicou sessões de acupuntura para relaxar os músculos do útero. Foi na segunda sessão que Joana deu sua cambalhota e meu receio definitivo se diluiu. Gostei muito do livro da parteira americana Ina May Gaskin, Guide do natural Childbirth, que contêm muitos relatos de partos naturais. Quando corpo consente, lindo livro. Parto Ativo, ótimo. Livros do obstetra francês Michel Odent, inspiradores, além dos clássicos do Leboyer, recomendáveis! Gosto de ler, e o tema me motivou muito! Fiquei com vontades de virar parteira!

A Doula já era sua amiga, acredita que a presença dela tenha te deixado mais segura?
Claro que presença da doula dá uma segurança. Ela foi a primeira a chegar, quando o trabalho de parto já estava intenso. Contávamos a duração das ondas, os intervalos entre as mesmas. A presença dela também acalmava Paschoal, meu marido. Ela fez massagens na lombar assim como as parteiras, depois que foram chegando. A doula era minha amiga já, mas nos aproximamos mais após tudo isso.

O que mais mudou na ‘Mariana’ depois da chegada da Joana?

Eita! Que pergunta! Acredito que a própria gestação já é a preparação lenta e gradual para o que está por vir. Assim como o crescimento do bebê, lento e gradual, vai naturalmente nos deixando aptos para a constante mudança que é o viver. Logo após o nascimento, meu corpo estava cheio de ocitocina! O êxtase estava em mim, e o leite também! Após parir em casa, aquele cheiro de tudo no ambiente, tudo é muito favorável para a chegada do novo ser. Logo, a missão era amamentar muito a pequena bebê, e aquela barrigona já estava do lado de fora, ali no colo, experimentando suas primeiras sucções nos peitões da mamãe Mariana. Quem diria! O colostro vai virando leite, a bebê vai virando expert no assunto. São tantas as mudanças! Somos uma só, eu e ela, ela e eu. Conforme ela vai mudando, o mesmo acontece comigo. É tudo junto, entende? A mudança não cessa nunca! Essa é a constante!

E o papai Paschoal, é totalmente a favor e participa das escolhas naturais na criação da Joana? (Diaper free)
Ahh, a temática do “sem –fraldas” já é um outro assunto! Apesar de muitas mães terem experienciado nascimentos naturais para seus filhos, são poucas as que se jogam numa criação tão livre quanto a que a de um bebê sem fraldas pode proporcionar. É fantástico, e muito divertido! A informação começa a se difundir e muitas famílias estão vendo a alegria que é um bebê livre de fraldas. Livrei de fraldas, de assaduras, de pomadas, lencinhos, trequinhos, cheirinhos. É como o bebê deve viver, livre. Paschoal já têm um filho de sua união anterior, que com cinco anos ainda precisa de auxílio para não molhar sua cama. Ele viveu a escravidão das fraldas e pode comparar as duas criações. Um bebê sem fraldas é sim mais ativo, esperto, feliz. É assim tradado com todo o respeito que merece, que anseia.

Se você tivesse uma amiga grávida, aconselharia a ela a fazer o parto em casa?
Conselhos, conselhos, conselhos. Complicado não? O que posso falar é sobre a minha experiência. Há coisas que nem precisam ser ditas e sim observadas. O parto em casa é para o bom observador, que enxerga além dos receios a tamanha felicidade gerada pelo ritual do parto natural, em particular o domiciliar.

Na sua opinião o resgate do parto no aconchego do lar deve ser melhor divulgado?
Já está sendo! Você Evelyn, me fazendo esta entrevista! Muitos profissionais humanizados também são parte importante da engrenagem da mudança, mas o principal são as mulheres, que devem cada vez mais se informar e tomarem para si este momento que é só delas, e de suas famílias. Parir é dar à LUZ! Veja só esta expressão! Nada de dores, incômodos e medos na pauta, e sim LUZ, AMOR, DEVOÇÃO. FAÇA VOCÊ TAMBÉM O SEU PARTO DOMICILIAR! Você pode! Aproveito também para deixar meu contato direto, e minhas novidades: www.mariejoana.wordpress.com . Apesar de ainda não ter redigido meu relato de parto, que logo estará no blog, fiz uma entrevista para a página UOL, sobre o nascimento de nossa filha Joana: http://celebridades.uol.com.br/noticias/redacao/2011/04/06/filha-de-ana-maria-braga-fala-sobre-os-beneficios-do-parto-domiciliar.htm . Não liguem para o título péssimo  “celebridades”, que nada tem a ver conosco. Disponibilizei fotos do nascimento, tiradas pela doula, para que as pessoas pudessem VER do que se trata um nascimento em casa. Divirtam-se!

  

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

10 dicas para se preparar para o Parto Natural

    Os profissionais da área da saúde devem sempre estar atualizados para dar o melhor atendimento aos pacientes e com as Doulas não é diferente. Cristina Melo, a Cris Doula (que já esteve aqui pelo blog lá no início), durante uma pesquisa encontrou um site da Austrália onde a autora publicou, (entre outros assuntos referentes à gestação, parto e cuidados com recém-nascido), dez dicas extremamente importantes para quem deseja ter um parto natural. E resumidamente traduziu para o português e agora eu coloco aqui à disposição de vocês.


1ª Ignore comentários negativos:
Deixe que entre por um ouvido e saia pelo outro, não discuta com pessoas assim, não vale a pena. Você se informou e sabe o que é melhor pra você.


2ª Leia livros de partos e relatos de Partos naturais:
Pesquisas mostram que mulheres informadas tem partos com muito menos complicações do que as outras e diminuem muito as intervenções como analgesia, fórceps, vácuo extrator, cesárea, etc.


3ª Escolha o melhor local para VOCÊ :
Pode ser um parto domiciliar ou hospitalar, mas escolha o local que você se sente mais segura, se for em um hospital particular tenha um médico de confiança atendendo o seu parto, se for público terá de contar com a sorte de qual plantonista será. Converse com seu parceiro e escolham a melhor opção.


4ª Faça um curso para Gestantes:
Muitas maternidades oferecem cursos de gestantes, algumas até de graça, mas esses cursos podem também ensinar as coisas de um olhar totalmente médico, visando procedimentos e intervenções. Procure fazer cursos direcionados ao parto humanizado, ou profissionais que são a favor do parto humanizado para ensinar essas coisas.



5ª Contrate uma Doula: 

A doula é uma profissional treinada e experiente que oferece apoio físico e emocional a mãe antes, durante e após o parto. Em um mundo como o nosso onde o parto é visto como um procedimento médico, a Doula é uma peça importante que relembra que o parto é fisiológico e natural.

A parturiente que tem uma doula no parto, nunca estará sozinha, e sempre bem assistida. Pesquisas realizadas pela Organização Mundial da Saúde mostram que as mulheres acompanhadas por doulas no parto tendem a ter partos mais rápidos e fáceis, pedem menos peridural ou medicamentos para dor e também a cesárea.

Estão menos propensas a pedir a ocitocina para acelerar o trabalho de parto, tem menos problemas com amamentação, Se sentem muito mais satisfeitas e realizadas com a experiência do parto e diminui muito o risco de depressão pós-parto. Quer mais do que isso TUDO?


6ª Dica Faça um plano de parto: 
Esse plano é uma lista de coisas que você deseja que seja feita ou não no seu parto. Como posições de parto, uso de medicamentos, episiotomia, etc.

Não significa que seu parto sairá como o planejado, eu sempre converso e explico que o parto é sempre uma surpresa, algumas vezes realmente temos que aceitar algo quando realmente necessário e que nunca temos garantia de que o parto será como o desejado.

Mas é extremamente importante que a mulher esteja preparada para uma cesárea NECESSÁRIA e preparada para possíveis intercorrências, e para isso é fundamental que a mulher saiba o que é e o que não é motivo para intervenções. Informe-se!!!


7ª Prepare o seu corpo o máximo possível:
Você pode nunca ter ouvido falar da Massagem Perineal mas ela é uma das melhores maneiras de preparar o períneo para evitar lacerações, uma alimentação saudável e exercícios físicos também vão ajudar seu corpo nesse momento.

8ª Familiarize-se com métodos não-farmacológicos para alívio da dor: 
Pratique relaxamento durante a gestação, pense sempre positivo e visualize o bebê nascendo, prepare o local do nascimento. É muito gostoso um local quentinho,com silêncio e privacidade. 
No início do trabalho de parto continue fazendo as suas coisas normalmente, veja TV, coma e bebê, vá ao cinema, durma se for a noite. Não tem motivo para alarde. 
Mantenha-se ativa durante o dia, use a bola, caminhe e ajude seu corpo sem se desgastar demais. Sinta o seu corpo, a magia da natureza agindo e fazendo o que precisa fazer, agradeça que isso esta acontecendo e que seu bebê está chegando.
Coloque uma música lenta e dance com seu companheiro e/ou acompanhante, celebre esse momento, sorria, relaxe o parto é motivo de felicidade.
Solte todo o seu corpo, durante as contrações principalmente, relaxe, vocalize, abra bem a boca e solte a sua mandíbula, isso vai relaxar seu períneo também. Não fique franzindo o rosto e nem deixe seu corpo tenso.

Lembre-se: VOCÊ PODE FAZER ISSO!

Visualize seu corpo funcionando, seu bebê girando e nascendo. Não esqueça de urinar, sempre que sentir necessidade e evacuar também. O seu corpo precisa continuar fazendo as coisas rotineiras. Use aromaterapia, óleos para massagem são bem relaxantes, e ajudam a meditar. Peça uma massagem nas costas quando sentir a contração, a pressão na lombar e movimentos circulares alivia o desconforto. 
O frio aumenta a intensidade da dor, então, mantenha-se aquecida. Use sempre uma meia.
O chuveiro quente ajuda o corpo e a mente a relaxar e alivia também a dor, tome um banho demorado, 1 hora ou mais. A banheira é recomendado com mais de 7 cms.
Não pense na dor como uma coisa ruim, aprenda a lidar com as contrações, não fuja dela, se concentre no que o seu corpo pede, o que ele quer, e lembre-se isso tudo não é em vão.
São essas contrações que vão trazer seu bebê.
Converse com o seu bebê, deixe que ele saiba que tudo isso também é normal pra ele, e que logo vocês vão se conhecer de uma maneira diferente, e que você mal pode esperar.
Ouça os conselhos da sua equipe humanizada, a sua parteira, a sua doula, o seu acompanhante.
Olhe nos olhos deles e sinta, ouça, VOCÊ CONSEGUE! Mas faça o que o seu corpo quer, ele sabe o que fazer, RESPIRE profundamente e devagar, inspire pelo nariz e expire pela boca.
CONFIE EM VOCÊ E NO SEU CORPO!

9ª Deixe seu macaco agir:
Sim, parece engraçado mas na verdade isso é retirado de um livro de uma parteira super reconhecida chamada Ina May,e ela fala justamente sobre deixar o seu lado primitivo e instintivo agir. Isso inclui tirar a roupa e ficar a vontade, fazer sons, posições, não tenha vergonha nem medo do que vão pensar.
Não fique pensando em remédios, em procedimentos, não fique pensando o quanto falta para dilatar totalmente, não tenha medo de evacuar durante o parto. TODAS as pessoas fazem isso diariamente, pessoas normais, celebridades, princesas. É NATURAL do corpo e a equipe está totalmente acostumada com isso. Não se prenda.

10ª Confie no seu corpo:
Seu corpo instintivamente sabe o que fazer para trazer seu bebê ao mundo. Afinal, ele tem feito isso perfeitamente pelos últimos 9 meses, cuidando desse ser e ajudando a crescer com saúde, sem que ninguém tenha que intervir. Seu corpo não precisa de cursos ou um médico para ensinar como gerar um bebê. Milhões de anos de evolução mostra que o trabalho de parto é controlado pelas partes mais primitivas do cérebro.

Lembre-se que essa ''dor'' é simplesmente uma mensagem para o seu cérebro. Você não está em perigo. E você sabe como controlar essa mensagem, diminuindo e até eliminando. Ensinar seu corpo como fazer isso é a melhor maneira de ter um maravilhoso trabalho de parto onde medicamentos para alívio da dor nem passam pela sua mente. Nossos corpos são especialmente feitos para fazer essa coisa maravilhosa chamado PARTO. Prepare-se também para possíveis intercorrências que a medicina moderna está pronta para atender, uma cesárea necessária é sempre bem vinda.
Mas no final de tudo, sorria, ame e divirta-se com o seu parto. VOCÊ está no controle da sua experiência, dê permissão ao seu corpo para ir além de qualquer inibição e siga o seu corpo.

Cristina Melo é Técnica de Enfermagem e Doula.